quinta-feira, 19 de junho de 2008




Aluno do quarto ano do curso de Jornalismo da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e director do Jornal Universitário de Coimbra A Cabra, Hélder Almeida fala de como é assumir a responsabilidade de ser director de um jornal feito por estudantes e para estudantes.



Inês Almeida- Como é ser director de um jornal, sendo ainda estudante?

Hélder Almeida - Tem duas facetas. Por um lado, é óptimo pois permite-me praticar, o que não teria possibilidade de fazer estando apenas a frequentar o curso de Jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. N’ A CABRA definimos um projecto jornalístico e levamo-lo em frente. E o que é mais fascinante é que é um projecto levado a cabo apenas por estudantes (de todos os cursos e de todas as instituições de ensino) sem ser preciso o aval ou a orientação de qualquer professor. Para o bem e para o mal, estamos por nossa conta. A faceta menos positiva é o tempo que nos leva. Para fazer um bom trabalho é necessário passar muito tempo na redacção, perder muitas noites de sono, perder muitos fins-de-semana com os pais ou com os amigos e prescindir de quase todo o tempo livre que se tem. Ainda assim, o que se ganha compensa largamente o que se perde.

IA - É muito difícil conciliar os estudos com as responsabilidades do jornal?

HA - Este é outro aspecto menos positivo. Sim, é difícil conciliar as duas coisas. É necessário faltar a muitas aulas e substituir o tempo de estudo por tempo para redigir, corrigir e paginar artigos. Eu, por exemplo, consegui durante este ano, ir a uma média de duas aulas por semana. É uma actividade que, se se quer bem feita, nos toma muito tempo.

IA - Sendo os redactores pessoas quase da sua idade, tal facto não pode interferir com o bom funcionamento da redacção?

HA - N’ A CABRA somos quase todos da mesma idade (entre os 19 anos e os 25) e a redacção sempre funcionou muito bem. É uma redacção bastante jovem. O que perdemos em experiência ganhamos em vontade de arriscar e de fazer diferente.


IA - Como foi aceitar este desafio? Teve de ponderar muito ou foi uma decisão fácil?

HA - Eu já fazia parte da equipa editorial do jornal no ano passado, era editor de Ensino Superior. Quando fui convidado para o cargo de editor é que ponderei mais, se bem que aceitei rapidamente o desafio, pois não é todos os dias que se tem a oportunidade de fazer um jornal do zero. Um ano passou e, chegado o momento das substituições, fui falado para director, tendo sido posteriormente eleito pela equipa editorial (todas as decisões tomadas na direcção são-no democraticamente, através de voto). Depois de se estar na direcção, é um percurso natural, para qualquer editor. Agora, ponderei bastante aquilo que me esperava se aceitasse? Sim, sem dúvida, até porque dizer sim implica um comprometimento total para com o jornal e a equipa, 24 horas por dia e sete dias por semana, se tal for necessário. Pensei se estava realmente disposto a isso. E estava…

IA - Já teve algum momento em que lhe apetecesse desistir?

HA - Há momentos muito desgastantes ao longo do ano. A fase de exames é muito complicada (o jornal não deixa de sair por haver exames) e ao final de algumas edições o cansaço começa a pesar. São muitas noites sem dormir, problemas para resolver, trabalhos para a faculdade ao mesmo tempo… Houve um momento, em que tive um problema pessoal, em que talvez tenha pensado nisso. Mas para dizer a verdade nunca foi opção para mim, era fruto da pressão. Tinha-me comprometido com a equipa e com o jornal, nunca poderia abdicar. Para além do mais, estar à frente de um jornal como A CABRA é das experiências mais gratificantes que tive até agora. Acho que nunca conseguiria dizer que desistia.

IA - Para além de lhe dar muita experiência, acha que o facto de ser director de um jornal ainda enquanto estudante, lhe pode abrir portas no futuro?

HA - Isso não sei. Sei sim que vou muito mais bem preparado para uma redacção do que alguém que nunca tenha feito mais nada senão o curso. Sei como funcionam as rotinas, sei o que é o stress do deadline, sei o peso de cada caracter… Entrevistei pessoalmente ministros, escritores, artistas e pessoas simples na rua. Saio com uma enorme experiência de redacção, o que é uma grande mais valia.

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